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A inquietude da linha Coleção.

Três variedades conhecidas. Três técnicas pouco convencionais. Uma linha criada para experimentar outras possibilidades do vinho.

A inquietude da linha Coleção.

Nem todo vinho precisa nascer da intenção de repetir aquilo que já se conhece sobre uma variedade.

A linha Coleção Cristofoli parte justamente do raciocínio contrário. Ela surgiu da vontade de experimentar diferentes formas de vinificação e descobrir outras expressões para uvas conhecidas. Hoje, reúne Tannat com maceração carbônica, Riesling Itálico branco macerado e Cabernet Franc com vinificação integral em barrica.

O ponto em comum entre eles não é a variedade, a cor ou um perfil sensorial específico. É a experimentação.

Isso também diz algo sobre o momento atual da Cristofoli. Bruna, Letícia e Lorenzo fazem parte de uma geração que cresceu cercada pelos vinhedos e pelas práticas da família, mas que também se formou tecnicamente em enologia. A Coleção nasce desse encontro entre repertório, conhecimento e vontade de testar caminhos diferentes.

Tannat: intensidade por outro caminho

O Tannat costuma ser associado a estrutura, concentração e presença de taninos. Na Coleção, a pergunta foi outra: o que acontece quando uma variedade conhecida justamente por essa intensidade é submetida à maceração carbônica?

Nesse processo, os cachos inteiros são colocados em um tanque fechado, em uma atmosfera rica em gás carbônico. Parte das transformações começa dentro das próprias bagas, antes da fermentação alcoólica convencional. A técnica tende a limitar a extração de determinados componentes das cascas e pode resultar em vinhos menos ácidos, mais macios e com maior expressão dos aromas da variedade. É um processo reconhecido internacionalmente pela OIV e bastante associado a vinhos de perfil mais fresco e flexível. OIV

Na Cristofoli, os cachos de Tannat permanecem inteiros no tanque durante essa etapa e só depois são prensados. A escolha suaviza a carga polifenólica característica da variedade, mantendo sua cor intensa e construindo uma expressão mais delicada e aromática. Vinhos Cristofoli

A técnica, portanto, não procura fazer o Tannat deixar de ser Tannat. Ela investiga outro lado da mesma uva.

Cabernet Franc: a barrica desde o início

No terceiro vinho, a experimentação muda novamente de direção.

Em muitos tintos, a fermentação acontece em tanques e a barrica aparece posteriormente, durante o amadurecimento. No Coleção Especial Cabernet Franc, o carvalho participa desde a fermentação.

O mosto, as cascas e a polpa fermentam diretamente em barricas de carvalho francês. Durante o processo, as remontagens tradicionais dão lugar ao movimento da própria barrica sobre seu suporte, permitindo uma extração gradual. Depois da fermentação e da separação das cascas, o vinho retorna ao carvalho para completar seu amadurecimento, permanecendo ao todo 12 meses em barrica. Vinícola Cristofoli

Isso muda a relação entre vinho e madeira. O carvalho deixa de ser apenas uma etapa posterior e passa a acompanhar a construção do vinho desde o começo.

Riesling Itálico: quando as cascas também participam do branco

No segundo vinho da Coleção, a experiência acontece com uma variedade branca.

Na elaboração contemporânea de muitos vinhos brancos, as cascas são separadas do mosto antes da fermentação. Isso ajuda a construir os estilos leves e pouco tânicos aos quais nos habituamos. Mas o contato com as cascas também permite extrair outros componentes, influenciando aromas, textura, estrutura e compostos fenólicos do vinho. ScienceDirect

No Riesling Itálico Branco Macerado, a Cristofoli recupera essa possibilidade.

As uvas são colhidas frias nas primeiras horas da manhã. Os cachos são desengaçados manualmente, preservando a integridade das bagas, e a fermentação começa com as cascas em contato com o mosto. Na elaboração descrita pela vinícola, essa maceração acontece a baixa temperatura durante quatro dias, antes da separação das cascas. Vinhos Cristofoli

É uma escolha técnica bastante diferente da elaboração habitual de um branco leve. O objetivo é justamente permitir que o Riesling apresente outra estrutura, maior volume e uma expressão que dificilmente apareceria pelo caminho convencional.

Uma coleção que não precisa terminar aqui

Tannat, Riesling Itálico e Cabernet Franc parecem, à primeira vista, ter pouco em comum. E essa é justamente uma das partes interessantes da Coleção.

A unidade não está nas uvas. Está na pergunta feita antes de cada vinho: o que ainda podemos descobrir aqui?

Em um caso, uma técnica transforma a percepção de uma variedade naturalmente tânica. Em outro, as cascas permanecem na elaboração de um branco. No terceiro, a barrica participa de um momento em que normalmente ainda não estaria presente.

Coleção é, portanto, um espaço de investigação dentro da Cristofoli. Um lugar para aplicar conhecimento técnico sem transformar o vinho em exercício acadêmico, experimentar sem perder de vista a variedade e permitir que a nova geração deixe também sua contribuição na história da vinícola.

Porque tradição também pode ser o ponto de partida para descobrir algo novo.